o esforço em busca da compreensão...

Em fim, em pleno inverno de 2018, me sentindo totalmente perdido, sem rumo, desmotivado, desejando a morte perante tantos problemas, tantas consequências de minhas próprias escolhas, atitudes erradas ou mesmo a devida falta delas em momentos oportunos. Nessa ocasião procurei amparo psicológico, porém, no caps, onde eu tentava ser atendido, não havia possibilidade de acolhimento naquele omento. Decidi então sacrificar o pouco dinheiro que eu tinha para passar o mês e procurar a Clariana, a psicologa que me ouvia e me amparava no caps algum tempo antes. Ela cobrava 120R$ a hora de seção, e eu estava ciente de que não poderia pagar ´por isso, mas minha necessidade era maior, só via o suicídio como a única alternativa, pois mesmo para qualquer outra intenção, eu dispunha de capital, e minha justiça pessoal jamais se realizara. Por fim, Clareana me recebeu, me ouviu naquele momento de tristeza profunda, e me disse que não poderia me atender. Ela estava gestante, e logo teria seu bebê, e me indicou a doutora Vanice, uma médica cardiologista que também era formada em psicologia Junguiana, algo que até então eu jamais teria ouvido falar. Pela confiança na Clariana, procurei a doutora Vanice, a qual estabeleceu o valor de R$165,00 a hora de seção. Novamente eu sabia que não teria acesso a esse acompanhamento visto que meu estado psicológico era muito debilitado, e Vanice me deixou claro que teríamos que nos ver todas as semanas do mês. Minha renda não me permitia esse luxo. Estive lá algumas vezes e me sacrifiquei muito para conseguir pagar as duas primeiras seções. Admiti então para mim mesmo, mesmo diante da certeza de que precisava daquele trabalho, que não era acessível por conta do meu poder aquisitivo tão limitado. EU tinha a consciência de que havia fracassado na vida e nada mais estava ao alcance de ser feito. Doutora Vanice, dona de uma personalidade fantástica, um coração incomparável, percebeu minha situação. Eu expus tímida e envergonhadamente minha situação financeira, mesmo assim ela me acolheu...Me disse que não me cobraria pelo acompanhamento, e no momento que foce possível, eu voltaria então a pagá-la. Infelizmente, ainda não tenho condições de pagar pelo acompanhamento, e a cerca de dois anos, acolhido por sua humanidade e bondade, faço esse acompanhamento que me deu uma nova perspectiva de vida. Aos poucos, com cuidado e delicadeza ela aborda os mais difíceis e complexos assuntos que precisam ser abordados para posteriormente serem superados. Pela primeira vez na vida, consegui confiar plenamente em alguém, acatar e abordar suas informações, orientações, conselhos e sugestões. Houveram períodos de instabilidades que precisei de acompanhamento mais intenso, e ela me ligava, me perguntava e incentivava a exteriorizar toda e qualquer emoção reprimida. Em fim, sendo um descrente, ateu assumido e impositor de descrença absoluta, em um sentido figurado, fazendo bom uso de personagens mitológicos, eu poderia dizer que doutora Vanice foi um anjo, a pessoa que fez em minha vida toda a diferença entre a vida e a morte, pois se estou ainda resistindo e buscando o equilíbrio emocional, isso se dá unicamente por ela. Ainda tenho sim muitas dificuldades em lidar com muitas coisas do meu passado, com consequências de erros inconscientes que cometi, decisões erradas, precipitadas ou mesmo impensadas. Do modo que cresci, todos os parâmetros vinculados a minha personalidade de certo, errado, ético e de moralidade, eram baseados em uma família desestruturada que me criou, sem devidos exemplos, orientações ou afeto de qualquer tipo. De personalidade forte e um tanto radical, impulsivo, porém humano, sempre me detive a ver o mundo do meu próprio ponto de vista. Incapaz de dedicar confiança à pessoas, raramente acatava sugestões alheias de quem estivesse próximo. Se não fosse do meu jeito, dificilmente eu o fazia.... Cresci em meio a muito ódio,estimulado a sentí-lo desde muito cedo, desde a infância. Eu só visava minha família, o bem estar dos que estavam comigo e sempre fui incapaz de fazer qualquer coisa deliberada que viesse a prejudicar ou magoar meus familiares. De forma controversa, consegui uma família desestruturada, infeliz, problemática, e debilitada assim como meu subconsciente, e também como o subconsciente da minha ex esposa, a qual também trazia consigo uma história pesada entre miséria, fome e abuso sexual desde sua infância. Seu pai, que deveria protegê-la, a estuprava, abusava dela com o consentimento de sua mãe, a quase calou durante todos esses anos. Fiquei sabendo disso por volta de 2008 depois de uma série de trocas de confidências. Nesse mesmo ano, minha ex esposa iniciou e manteve um caso extraconjugal com o vizinho da chácara que morávamos. Dessa relação, nasceu a Sofia, minha filha que assumi, registrei e nem mesmo o direito de vê-la nascer eu tive, e posteriormente,o direito de vê-la crescer também me foi roubado.
Hoje, entendo que pessoas são humanas e cada qual vive, e decide de modo baseado em sua criação. De acordo com os parâmetros éticos e morais moldados antes de tudo pelos familiares que nos criam e educam. No caso de Danielle, hoje compreendo, que tipo de parâmetro ético e moral lhe foi ensinado. E por fim, dedicou a mim, o homem que mais a amou ao longo de toda a sua vida, o mais intenso ódio, agindo de modo deliberadamente controverso ao certo e correto, mentindo, acusando, manipulando, saqueando. Me privou da coisa mais importante de toda a minha vida, minha filha. Ela julgou e exerceu sua punição a seu próprio ponto de vista, baseado em sentimentos herdados desde a infância corrompida por seu pai. Por fim, ela generalizou, englobou a masculinidade de modo ofensivo, agressivo de modo que direcionou a mim todo esse ódio, que não necessariamente por mim, mas pelo gênero que ao longo da vida tanto mal lhe causou. Jamais em toda a vida lhe fiz mal, mas aos olhos dela, me tornei o representante masculino de todas as agressões que sofrera. Do mesmo modo, as outras mulheres que fizeram parte da minha vida, desde minha avó, tias, primas, minha primeira namorada que se tornara um tão importante gatilho emocional, todas de alguma forma eram humanas, pessoas imperfeitas, que em suas decisões e atitudes nem sempre faziam o correto aos olhos alheios, mas era a melhor escolha baseadas em seus próprios parâmetros éticos e morais. Ninguém é capaz de dar o que não tem ou o que não recebeu, ou que não aprendeu a dar. Do mesmo modo, ninguém é capaz de lidar com suas emoções quando acumula tantos problemas, desafetos e gatilhos emocionais ao longo da vida. Ser humano é ser assim, ser imperfeito,cometer erros, estar consciente de que nossas decisões nem sempre agradarão a todos, e que as vezes causaremos mágoas e ofensas sem nem nos darmos conta disso. Isso pode vir a gerar um acumulo negativo que lá na frente pode vir a se tornar uma situação negativa ou ocasionar conflitos que jamais entenderemos a causa. Por fim, cabe a mim entender, compreender, discernir que o fado e o privilégio de ser humano, o privilégio de ter nascido, vivido e crescido, é algo grandioso, e precisamos antes de tudo aprender a identificar os lados positivos da nossa existência. Nem todo mundo cresce, nem todo mundo se torna um adolescente ou um adulto, muitos ficam pelo caminho. De alguma forma irracional, a natureza nem sempre é justa, na maioria das vezes injusta, e se nós não tivermos a consciência de que precisamos evoluir, compreender e buscar a melhora intelectual, a compreensão daquilo que não entendemos, e nos tornarmos antes de tudo bons seres humanos, jamais nos tornaremos dignos daquilo que realmente importa, a mais real e verdadeira felicidade. Perante isso, todo o mais se torna pequeno, mínimo e sem valor. Se não nos tornamos capazes de compreender o sentido da felicidade e agirmos de modo que isso se proporcione como consequência de nossas escolhas, atitudes e decisões, estão certamente seremos apenas mais uma pessoa que viverá uma vida superficial baseada em mentiras, ilusões e frustrações.

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