A vida não é um mar de rosas

Serca de um ano depois, já com seis anos, iniciei no jardim de infância. Eu era muito tímido, retraído, tinha medo das pessoas e me apeguei muito a minha avó paterna. Ela era quem cuidava de mim com suas poucas poucas migalhas de afeto, visto que de sua vida difícil, foi o que ela também conseguiu...
No dia em que as aulas iniciaram, eu não fiquei sozinho na sala de aula, visto que temia ser maltratado pelas pessoas, Minha avó ficou comigo na sala com as outras crianças por algum tempo até que a professora Elenor conquistou minha breve confiança. Passei o restante da tarde lá, com as outras crianças, mas continuei resistindo por uns dias até me habituar coma nova rotina de convivência em grupo. Meu avô, seu Francisco de Castro Fonseca me passou a ter essa tarefa então, dele levar e me buscar na escola. Eles tinham medo de me deixar ir e vir sozinho com meu primo Henrique Ricardo Haugg, dois anos mais velho que eu, pelo fato de que meu pai e minha mãe haviam se separado de modo litigioso, também vítima de maus tratos por ela, ela foi proibida pela justiça de se aproximar de mim, e meus avós tinham medo que ela viesse e me sequestrasse ou coisa assim....em fim, que fizesse alguma coisa por vingança ao meu pai. Passaram se os dois anos de jardim A e jardim B e em fim cheguei a primeira série. Uma novidade pois agora iria aprender em fima ler e escrever...Mas como dizia o poeta, a vida não é um mar de rosas...
Havia uma tia, viúva, mãe dos meus dois primos que moravam na mesma casa dos meus avós. O Herique e o Anderson. O Henrique era mais velho uns dois anos e pouco, já o Anderson nasceu quando eu tinha uns quatro ou cinco anos. O pai dele foi vítima de uma cirrose e veio a falecer antes do nascimento do Anderson. Meu avô então, junto com meu pai que mais tarde também veio a se separar da Jurema, minha ex madrasta que me maltratava, ambos passaram então a fazer papel de pai do pequeno bebê desamparado. Meu pai sempre foi zeloso e amoroso comigo. Sempre fez o que pode e o que esteve a seu alcance. Por fim, o início das aulas... EU lembro que eu gostava muito de ir a escola, logo, em casa, brincar em volta da casa dos meus avôs com todos os meus primos da minha idade era algo irresistível. Não tínhamos brinquedos comprados, mas éramos felizes...Logo, começaram a vir os temas e as lições de casa, e minha avó, analfabeta não conseguia fazer muito para me ajudar quanto a isso, e áaí que entra minha tia, dona Irene Maria. Viúva, pessoa extremamente amargada, consequência de suas dificuldades da vida, passou a assumir essa tarefa de me ajudar nas lições de casa, porém com espírito sádico e cruel, aquela vida de maus tratos estava por recomeçar.
Ela me obrigava a reescrever várias vezes os e que nos textos das folhas de caderno. Ela apagava diversas vezes e dizia que eu deveria refazer com letra bonita. Uma criança quando aprende a ler e escrever, não tem a habilidade de moldar sua letra em uma forma dentro de padrões de beleza e legividade esse comparado a outra criança que já escreve a bem tempo. E lá se foram minhas tardes de brincadeiras com meus primos. Como Irene Maria era artesã e trabalhava em casa, ela me mantia ao seu lado, sob risco de surras e castigos em tempo integral de contra turno. Ela pegava livros e revistas e me fazia copiar textos e mais textos, me ensinava matemática, e me obrigava a permanecer ali, ocupado sem mais ter o direito de brincar com meus primos. Ao lado da casa dos meus avós, minha tia, Lucila, irmã de meu pai, casada com Thelmo Eloi, irmão da minha mãe, construíram uma casa e tinham três filhos, Honeide, Ataide e Zenaide, mais tarde veio a Zuleide e posteriormente quando estávamos grandes veio o Roneide. Enfim, éramos uma turminha do barulho, brincávamos e brigávamos como toda criança sadia o fazia. A parte que me marcou, foi essa fase dos seis aos catorze anos, onde minha então me submetia a esse estilo intensivo e erroneamente exagerado de impor seu modo de ensino. Ao invés de aprender, de acordo com expectativa dela, eu passei a ter dificuldades na escola, me envolvia em brigas com colegas e eu e meus dois primos, Honeide e Ataíde nos tornamos inseparáveis. Nos defendíamos de tudo e de todos que quisesse se aproximar. Eramos pobres e mal tínhamos roupas e calçados, e isso atraia muito a tão falada discriminação, o boiling. Em casa, eu passava as tardes trancado em casa, e se não fizesse o que minha tia Irene mandasse, desde os estudos aos serviços domésticos, eu era submetido a surras constantes, ficar ajoelhado sob tampas de garrafas, grãos de milhos...passei por esse tipo de tortura por todos esses anos e ninguém veio a se impor sobre isso.

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